Apesar da versatilidade, a fama do trigo anda de mal a pior. Nutricionistas respondem as principais dúvidas e contam se você deve ou não cortá-lo do cardápio

Texto Amanda Nicácio | Edição Helô Oliveira | Adaptação Ana Araujo

É preciso cortar o trigo da dieta?
É preciso cortar o trigo da dieta? Nutricionistas respondem
Foto: Shutterstock

Presente em nossa dieta desde a Antiguidade, o trigo é considerado um dos pilares da alimentação humana – afinal, a partir dele produzimos pães, bolos, massas, biscoitos e uma infinidade de produtos. Apesar de suas mil e uma utilidades, sua fama tem ido de mal a pior, fazendo que muitas mulheres o eliminem do menu. Mas será que esse corte radical é realmente necessário? Com a ajuda de especialistas, solucionamos alguns mistérios sobre o alimento.

O novo trigo

Podemos dizer que o “verdadeiro” trigo, consumido até a década de 1960, e o que comemos hoje são completamente diferentes. “Com a evolução da indústria alimentícia, houve uma mudança no processamento do cereal. Para aumentar a validade e dar mais elasticidade ao produto, seu refinamento passou a ser feito com produtos químicos, o que, claro, acaba agredindo o organismo”, explica Simone Maia, nutricionista (RJ).

Dois nutrientes em particular foram seriamente modificados: uma proteína chamada gliadina e o amilopectina A, um tipo de amido característico do cereal. Segundo o best-seller Barriga de trigo, escrito pelo cardiologista especializado em medicina preventiva Willian Davis, ao atingir o sistema nervoso, a gliadina aumenta a gula e faz que a pessoa fique “viciada” e dependente de alimentos com trigo. O amido, por sua vez, gera grandes picos de insulina no sangue, resultando em mais quilos na balança.

 

“O excesso de açúcar também promove a oxidação das células e reduz a produção de colágeno, fazendo que a pele fique menos radiante. Além disso, ele contém exorfina, biomolécula que libera aminoácidos responsáveis por provocar depressão”, explica Dominique Horta Buim, nutricionista (SP). E tem mais: está sendo estudada a ligação do trigo com o aparecimento de certos tipos de câncer. “O problema estaria relacionado às acrilamidas, substâncias químicas liberadas quando o cereal é cozido”, explica.

Complicações no intestino também estão relacionadas ao consumo do alimento – mas só se você for alérgica ou intolerante a glúten, uma das proteínas presentes em sua composição. “Nesse caso, a pessoa pode apresentar sintomas como inchaço abdominal, diarreia, gases, enxaqueca, vômitos e até desnutrição”, afirma Nathália Fonseca, nutricionista (RJ). Porém, o Conselho Regional de Nutrição proíbe a retirada da proteína do cardápio caso não haja problemas fisiológicos para consumi-la. Como argumento, o órgão alega que sua ausência causa falta de saciedade, insônia, alterações hormonais, risco de depressão e ansiedade.

“O que deve ser feita é uma redução no consumo, nunca a exclusão completa. Na hora de consumir trigo, é preciso optar pela versão integral, rica em fibras que promovem saciedade e em carboidratos que garantem energia”, diz Paula Castilho, nutricionista (SP). Resumindo: você pode comer, sim, desde que não exagere e ele faça parte de uma alimentação diversificada.

Revista Corpo a Corpo | Ed. 320