Conversamos com o endocrinologista que esclareceu alguns pontos que devemos ficar atentas. Confira

Por Antônio Carlos do Nascimento*

 

Assim como a moda alterna tendências entre uma e outra estação, estamos cada vez mais acostumados às chamadas dietas “fashions”, que nada mais são que criações de agrupamentos inusitados de alimentos, que ganham fama, preferencialmente, quando uma pessoa pública declara sucesso no emagrecimento com a utilização do tal modelo de ingestão alimentar.

É o caso da "mundialmente famosa" Dieta sem Carboidratos, conhecida também por "Dieta do Doutor Atkins". Esta dieta propõe o consumo exclusivo de proteínas e gorduras, excluindo os carboidratos em qualquer uma de suas versões. O velho Atkins não era desprovido de argumentos como alguns escancaram, mas não tomava o cuidado de criar protocolos para o uso comedido, do que talvez até seja um recurso temporário no emagrecimento, em pacientes selecionados. 

Ainda que eu entenda que a sustentabilidade de uma dieta desse perfil não seja tarefa fácil, o resultante emagrecimento é obtido à partir da dificuldade criada pelas proteínas e gorduras na sua utilização pelo corpo humano. Os carboidratos são rapidamente absorvidos após a ingestão alimentar. Das substâncias mais comuns dos carboidratos, o açúcar livre é absorvido de imediato e o amido, encontrado nos pães e massas, é absorvido quase na mesma velocidade. Bem diferente do tempo que os carboidratos de absorção mais complexa, presentes nas verduras e legumes cozidos, que levam muito mais tempo até a sua total absorção.

Ou seja, uma dieta rica em açúcares é rapidamente absorvida e este açúcar instantaneamente é utilizado ou armazenado na forma de gordura em nossos depósitos, o que faz com que rapidamente surja o sinal da fome. Porém, se os carboidratos são compostos somente por Carbonos e Hidrogênio, eles apresentam as mesmas substâncias das proteínas e gorduras. Ou seja, se o organismo for capaz de fabricar carboidrato e souber retirar a matéria prima de proteínas e gorduras não vai faltar carboidrato. 

E todos nós somos capazes disto, porém, demanda tempo e gasto calórico, pois, enquanto o organismo se esforça em fabricar carboidrato a partir desta extração, ele se apropria primeiramente de suas reservas para obter a energia, sendo aí consumidos os depósitos de gordura. A questão é, que se agrada a alguns a visão de bacon, ovos, carnes, linguiças, a estes mesmos, de imediato, surge a ideia de consumir farofa, pães, arroz. Portanto, é uma dieta sujeita aos riscos dos desequilíbrios agudos em itens como colesterol, triglicerídeos e ácido úrico e, logo, o próprio indivíduo passa a dar mostras de insustentabilidade com relação a esse modelo alimentar.

Variações menos dramáticas desta dieta foram feitas e expressas sob vários nomes, como por exemplo a "dieta de South Beach". Outras dietas com menor suporte explicativo, às vezes beiram ao mítico, como por exemplo a "dieta do tipo sanguíneo", que até o presente momento não apresenta sequer um ensaio clínico retirando o tal modelo do campo do imaginário. Algumas relacionam dietas à horóscopos e afins. Na verdade, nenhuma dieta deve suprimir grupos alimentares, sob pena de danos orgânicos e quando não, danos psicológicos. Comamos de tudo, com moderação, sem a qual a pena neste caso será se submeter a exercícios exaustivos, dietas de baixíssimas calorias e por vezes medicações.

*Antônio Carlos do Nascimento é endocrinologia e metabologia