Se você cortou o carbo das refeições noturnas por medo de engordar, repense. Aprenda a incluir o nutriente no prato para queimar gorduras e comer muito menos no dia seguinte

Texto Caroline Randmer e Helô Oliveira | Edição Helô Oliveira | Adaptação Ana Araujo

Comer carboidrato de noite ajuda a emagrecer

Comer carboidrato de noite ajuda a emagrecer

Foto: Danilo Tanaka

Cá entre nós, a polêmica em torno do consumo de carboidratos de noite já deu o que tinha que dar – e eu, você e todo mundo já estamos cansados de aguardar um veredicto, certo? Pois bem, esqueça tudo o que ouviu até agora e comemore: o nutriente está liberado! Na verdade, segundo a nutricionista Jacqueline Anversa, de São Paulo, o problema nunca esteve no carboidrato em si, mas, sim, na qualidade da sua alimentação ao longo do dia e no seu estilo de vida. “O verdadeiro culpado é o sedentarismo. Se você pratica atividade física regularmente, não há problema algum em consumi-lo. Pelo contrário, ele faz bem à saúde e garante a energia necessária para você dar aquele gás na academia”, afirma. O segredo para o sucesso da dieta é escolher o tipo certo de carboidrato. “Opte sempre pelos carboidratos complexos (aveia, batata-doce, quinoa, arroz integral e centeio, por exemplo), que possuem baixo índice glicêmico. Quanto menor o índice, mais lenta é a liberação de glicose no sangue, o que faz a pessoa se sentir saciada por mais tempo”, explica Jacqueline.

Ainda não está convencida? Então, acrescente mais um argumento à lista: de acordo com um estudo realizado pela Universidade Hebraica de Jerusalém (Israel), a ingestão de carboidrato durante a noite aumenta a produção de leptina, hormônio responsável por controlar o apetite – ou seja, você sentirá menos fome no dia seguinte. Os pesquisadores acompanharam 78 voluntários que seguiram um cardápio de 1.500 calorias diárias composto por 20% de proteína, 30% a 35% de gorduras e de 45% a 50% de carboidratos. Os participantes foram divididos em dois grupos – o primeiro deveria consumir a cota do nutriente durante o dia, e, o segundo, à noite. Após seis meses, a boa notícia: o time número dois apresentou taxas mais altas de leptina. “Também foi constatada a alteração no padrão de dois outros hormônios: a grelina, que desencadeia a gula, e a adipectina, responsável por evitar o depósito de gordura nas artérias”, acrescenta Jacqueline.

A endocrinologista Maria Fernanda Barca, de São Paulo, ensina como acrescentar carbo ao prato. “Ele deve estar sempre acompanhado de proteínas, vegetais e gorduras boas. Isso evita o quadro de hipoglicemia, no qual são liberados adrenalina e cortisol, hormônios do estresse que desaceleram o metabolismo e impedem a queima de gordura”, aconselha.

Revista Corpo a Corpo | Ed. 322