Que tal falar sobre os “Perigos do boom da harmonização facial”? A cirurgiã plástica e especialista em cosmiatria Juliana Sales, do Rio de Janeiro, desmistifica o procedimento, que, segundo ela, está sendo banalizado e desrespeitando a individualidade de cada um

Texto: Redação | Foto: Divulgação 

Que tal falar sobre os “Perigos do boom da harmonização facial”? A cirurgiã plástica e especialista em cosmiatria Juliana Sales, do Rio de Janeiro, desmistifica o procedimento, que, segundo ela, está sendo banalizado e desrespeitando a individualidade de cada um. 

Infelizmente, temos cada vez mais faces estereotipadas, exageradas e até deformadas. Estas chamam atenção por uma “beleza artificial” , e que nada têm de belo. Costumo dizer que procedimentos bem feitos não devem ser identificados. O equilíbrio deve ser o objetivo, sempre”, explica Juliana. 

Antes de ser feito, o botox exige análise facial detalhada, conhecimento da anatomia e técnica apurada, pois mesmo um “simples botox” pode modificar a fisionomia e gerar um aspecto facial pouco agradável, que vai desde o congelamento da face, distorções do sorriso, à queda da pálpebra. “Se por um lado o maior acesso a esse tipo de procedimento é positivo, por outro, a banalização preocupa aos médicos e tem levado à uma descaracterização facial pouco elegante. 

A princípio, a toxina botulínica, mundialmente conhecida como botox, é um tratamento extremamente versátil e que atua não só amenizando as rugas e linhas de expressão, mas também na prevenção.

Na face, ao ser aplicado, promove paralisação da musculatura impedindo a formação das rugas geradas pela mímica facial e amenizando as já existentes.

De acordo com a especialista, além disso, a toxina botulínica pode ser usada para um efeito de “Lifting das sobrancelhas” e “abertura do olhar”.  

Já o preenchimento de ácido hialurônico, outro procedimento usado na “Harmonização facial”, tem papel muito importante no rejuvenescimento ou embelezamento facial não cirúrgico.  

No rejuvenescimento, permite correções de sulcos, reestabelecimento do volume perdido com a idade, readequação de proporções e inclusive efeito lifting facial.

Como embelezamento, pode ser feito para correção de assimetrias e estabelecimento de proporções mais adequadas aos padrões de beleza, assim como para pequenos incrementos que sejam bem vindos. Tudo isso exige análise facial acurada e consideração de padrões e medidas técnicas mas, acima de tudo, respeito à individualidadePortanto, o que é usado em uma pessoa não necessariamente será indicado para outra”, esclarece. 

Os riscos são maiores do que se imagina. No botox, a complicação mais comum, segundo Juliana, são as assimetrias de sobrancelhas ou a paralisação exagerada da face, levando a um efeito artificial, até a chamada ptose palpebral (queda da sobrancelha e fechamento ocular) e, em casos de aplicações na região da musculatura da boca, sorriso e pescoço, pode levar a dificuldade de fala, deglutição e sérios defeitos no sorriso.

No preenchimento de ácido hialurônico, Juliana explica que a complicação mais comum é o exagero que chamamos de “Pillow face”, ou “cara de almofada”, em português, ou seja, um rosto inchado pelo excesso de procedimentos. Porém, podem ocorrer consequências graves, como necrose (“morte da pele”) do nariz, lábio e até amaurose (cegueira), em casos extremos. 

Sobre a correção de harmonizações mal feitas, a questão é muito particular. “Em alguns casos, existe correção e em outros as consequências são desastrosas e irreversíveis.”, finaliza.