Cosméticos naturais, veganos e minerais têm ganhado cada vez mais espaço na vida das brasileiras. Entenda como eles funcionam e descubra seus inúmeros benefícios

Texto Bárbara Rossi | Adaptação Rebecca Nogueira Cesar

cosméticos

Cosméticos naturais, veganos e minerais são benéficos 

para a pele

Foto: Danilo Borges

A oferta de cosméticos ricos em ativos da natureza e com menos substâncias químicas (muitas vezes prejudiciais à pele e ao cabelo), que antes era tímida por aqui, agora cresce com rapidez, aumentando as opções para quem busca uma rotina de beleza mais saudável. É verdade, estes produtos são menos agressivos ao organismo e ao meio ambiente. Porém, é preciso ficar atenta a diversos detalhes para não levar para casa apenas uma promessa ou puro marketing. A boa notícia é que a indústria da beleza está preocupada como nunca esteve em entregar transparência e sustentabilidade. Quem ganha é você! A seguir, desvendamos o significado das denominações dos produtos desse universo e mostramos uma seleção caprichada de itens de cada uma delas.

Natural

Ingredientes retirados da natureza sempre foram matéria-prima para a fabricação de cosméticos. No entanto, foram substituídos por substâncias sintéticas, consideradas mais tecnológicas. Felizmente, pesquisas mostraram que fórmulas naturais também podem ser eficazes nos cuidados com a pele e o cabelo. “Os óleos vegetais puros possuem ativos com ação antioxidante, hidratam a pele e melhoram a qualidade celular. Já os ácidos graxos essenciais ativam o processo de regeneração”, explica Calu Franco, dermatologista da Clínica Carla Vidal (SP).

Tem certeza? Possuir ingredientes vindos da natureza não é suficiente para que um produto se encaixe na categoria de cosméticos naturais, não se engane! No Brasil, ainda não existe uma legislação específica que determine quais regras ele deve cumprir para pertencer a ela. Por isso, órgãos particulares foram criados para regulamentar as matérias-primas utilizadas e certificar as marcas que seguem as normas estipuladas por eles. Como as regras não são unânimes, é importante entender o que as certificadoras entendem por “cosmético natural”. O Instituto Biodinâmico (IBD) concede o selo àqueles produtos em que 95% de seus ativos são de origem natural, sem qualquer tipo de alteração. Os 5% restantes podem ser sintéticos, mas ainda seguindo as orientações de substâncias proibidas estipuladas por ele, como corantes e fragrâncias sintéticos, silicones, conservantes e derivados de petróleo.

Vegano

O principal objetivo aqui é a proteção aos animais. Assim como a dieta vegana, o processo de produção de cosméticos com essa filosofia é livre de qualquer ingrediente que venha de animais e eles também não são testados em bichos. Isso exclui matérias-primas frequentemente utilizadas em produtos de beleza, como mel, lactose e colágeno animal, que são substituídas por componentes vegetais ou sintéticos. A cera de abelha, por exemplo, é trocada por manteigas de murumuru, cacau ou cupuaçu.

Normas: Infelizmente, por enquanto, não existem selos nacionais que certificam os cosméticos veganos. Vale procurar pelas expressões “cruelty free” ou “não testado em animais” nas embalagens, mas só isso não garante que determinado produto não possua ingredientes de origem animal. O melhor é ligar para o serviço de atendimento ao consumidor da marca e pedir informações sobre a composição dele.

Mineral

Cosméticos feitos com elementos minerais estão mais presentes no nécessaire das brasileiras. O avanço da tecnologia permitiu que explorássemos melhor as propriedades de substâncias extraídas do solo. Elas são menos alergênicas do que extratos vegetais e químicos, o que as torna perfeitas para pessoas com peles sensíveis. “Além disso, em vez de serem absorvidos pela tez, esses componentes formam um filtro de proteção sobre ela, sendo menos agressivos”, explica Roseli Cardinali, cirurgiã plástica (SP). Alguns minerais também ajudam a tratar e cuidar da pele. “O dióxido de titânio e o óxido de zinco, muito presente nas maquiagens minerais, por exemplo, têm ação calmante, anti-inflamatória e hidratante”, esclarece Newton Morais, dermatologista (SP). Água poderosa Por ser encontrada sob o solo em temperaturas altíssimas, chegando até a 54°C, a água termal tem oligoelementos e minerais superconcentrados, muito mais estáveis. Cálcio, zinco, ferro, selênio, enxofre e magnésio são alguns deles. Ao ser borrifada na tez, ela limpa profundamente, hidrata e acalma. Além de seu uso ser indicado para o dia a dia, ela é ótima para tratar peles sensíveis ou que foram submetidas a tratamentos com ácido. Já existem no mercado versões em miniatura para carregar na bolsa e reaplicar ao longo do dia. A água termal também pode aparecer na composição de cremes para rosto e corpo.

Versão orgânica: Componentes orgânicos são aqueles que foram cultivados sem o uso de qualquer tipo de agrotóxicos, adubos químicos, produtos transgênicos e não prejudicam o solo. Portanto, os cosméticos produzidos com esse tipo de matériaprima podem ser certificados. “Para isso, eles devem ter 95% de ingredientes orgânicos. Fórmulas que contêm entre 70% e 94% de ativos dessa natureza podem apresentar no rótulo a indicação ‘produzida com ingredientes orgânicos’, especificando as porcentagens de cada um deles, porém, mesmo assim, não recebem o nosso certificado”, explica Alexandre Harkaly, diretor executivo do IBD.

Revista Corpo a Corpo | Ed. 316