Dr. Bernardo Ramalho diz que alguns consultórios, na realidade, fazem lipoaspiração dividida em sessões. Confira!

Texto: Estela Lopes | Foto: Divulgação/ Dr. Bernardo Ramalho

Muitas mulheres, em busca de ter o corpo dos sonhos, apostam em procedimentos estéticos dos mais variados tipos. Um deles é a hidrolipo - um tipo de lipoaspiração de consultório - que vem conquistando cada vez mais o público feminino. Mas, você sabe os riscos que essa técnica pode oferecer? Provavelmente não! 

O cirurgião plástico Bernardo Ramalho alerta sobre os riscos de processos invasivos para retirada de gordura localizada. Segundo o especialista, pacientes que se submetem à hidrolipo estão colocando a própria vida em risco.  

"Alguns profissionais passam a ideia de que a hidrolipo é mais segura devido o paciente não necessitar ficar internado. O risco existe por não fazer em local próprio e diversas vezes por não cirurgiões plásticos. Além disso, em consultório, o profissional tem um limite anestésico (já que não há anestesista e nem material para tal). Por isso, essas lipoaspirações normalmente são parceladas em algumas sessões (o que aumenta ainda mais os riscos).", enfatiza Dr. Bernardo.

Na cirurgia plástica, a gente precisa de três pilares para ter segurança: operar em hospital que tenha CTI, ter o anestesista e ter o cirurgião plástico, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. São os aspectos de segurança para toda cirurgia plástica.

As pessoas têm a falsa ideia de que em consultório é mais seguro, por não precisar de internação. Mas na realidade, cada sessão de hidrolipo é uma verdadeira roleta russa. "Cada vez que você vai no consultório realizar esse tipo de procedimento, eleva as chances de complicações, e normalmente são várias vezes", acrescenta. 

O especialista afirma que qualquer procedimento oferece riscos à vida do paciente em casos de complicação: "Na lipoaspiração, o paciente pode ter complicações graves como choque anafilático, parada cardíaca, entre outros". Porém, o médico garante que as intervenções cirúrgicas realizadas em ambientes próprios são fundamentais caso ocorra qualquer imprevisto. "Dentro de um centro cirúrgico, no hospital com CTI, existe todo o aparato para uma possível reversão da intercorrência. Já  consultório, ou clínica, não tem instrumentos e muito mais dificuldade. Como por exemplo, fazer a maca entrar no elevador em prédio comercial. Quando ocorre uma parada cardíaca, cada minuto é precioso", pondera o profissional.

Como outro alerta, Bernardo Ramalho declara que apenas cirurgiões membros da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica podem realizar estes procedimentos estéticos invasivos. "Observamos por aí grande número de profissionais que não são cirurgiões plásticos. Realizam esta cirurgia por julgarem simples. Acabam acontecendo fatalidades. Têm dentistas fazendo lipoaspiração, ginecologista e outros profissionais que não são aptos para este procedimento. No ano de 2016, morreram sete pacientes e nenhum dos casos estavam operando com cirurgião plástico", relembra o médico.

O especialista afirma que lipoaspiração não é indicada para quem quer emagrecer. O cirurgião também desmistifica a ideia de lipoaspiração ser a indicação ideal para os que desejam perder peso. "Ela serve para retirar gordura localizada, como, por exemplo, no abdômen, culote, dorso, parte interna nas pernas e braço. Por medida de segurança, o máximo que se pode retirar é 7% do peso corporal do paciente. Paciente que quer emagrecer deve fazer dieta e exercícios físicos. Depois disso, caso fique com gordura localizada, é indicado a lipoaspiração", explica o cirurgião, afirmando que o procedimento pode demorar, em média, de três a cinco horas - o que varia de acordo com o local da operação.