Zika vírus, dengue, Chikungunya... esses males estão à solta e, claro, a preocupação só cresce. Para ajudar você a espantar o mosquito, veja como o repelente funciona e como usá-lo

Texto Ana Araujo

Repelentes são eficazes? Especialistas respondem

Repelentes são eficazes, desde que aplicados corretamente

Foto: Fábio Mangabeira

Afinal, os repelentes são eficazes? Boa notícia: sim! Seu uso ainda levanta muitas dúvidas, principalmente com o atual alerta em relação ao aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, Zika vírus e Chikungunya. Consultamos três especialistas que respondem às perguntas mais frequentes. Confira!

1. Como o repelente funciona?

O mosquito é atraído pelos cheiros que o corpo humano exala. “Esse produto forma uma espécie de ‘nuvem’ de substâncias ao redor da pele, que entope os poros das antenas do bichinho, impedindo que ele sinta esses odores”, explica a farmacêutica-bioquímica Thalita Cristina Estima de Jesus, da Merck.

2. Quais são os tipos de repelentes liberados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Organização Mundial da Saúde (OMS)?

DEET: é o mais comum, porém, dura apenas 2 a 4 horas. Só pode ser usado por crianças a partir de 2 anos. Aparece na fórmula dos repelentes da OFF.

Icaridina: é o que mais dura na pele – embora o frasco indique a duração de 10 horas, o tempo baixa para 6 a 7 horas nos dias quentes. Por ter boa resistência em tecidos, é a matéria-prima de um repelente da marca Exposis pensado para ser usado em roupas, mosquiteiros de carrinho, de berço e afins. Só pode ser usado por crianças a partir de 2 anos.

IR3535: de baixa duração, ele é indicado para pessoas com peles sensíveis, gestantes e bebês a partir de 6 meses justamente por ser mais "fraquinho" – ele possui menor concentração de princípios ativos, como o EBAAP, o que o torna menos tóxico –, mas não menos eficaz para esse público-alvo. Contudo, a dermatologista Vanessa Metz, do Rio de Janeiro, indica os repelentes com os demais ativos para pessoas sem as condições citadas acima. Sem restrições de reaplicação. Aparece na fórmula da loção JOHNSON'S® para criança e bebês.

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3. Como aplicar o repelente?

Use-o em todas as áreas expostas e, inclusive, por cima da roupa. “Estima-se que 40% das picadas ocorrem sobre a roupa. Ao aplicar por baixo, você impede a formação da ‘nuvem’, anulando sua eficácia e favorecendo o contato e a picada do mosquito”, diz a dermatologista Aline Vieira, do Rio de Janeiro. Dê atenção especial às pernas, pois o mosquito aedes aegypti costuma voar baixo. Mas nada de aplicar o repelente de noite por baixo do pijama e lençóis, ok? Isso aumenta o índice de intoxicação. Lave as mãos após a aplicação e tome um banho antes de dormir para remover o produto.

4. Quantas vezes ele deve ser reaplicado?

De fato, é superimportante reaplicar o produto ao longo do dia, mas a quantidade varia de acordo com a concentração do princípio ativo e com o fabricante. Dê uma lida no rótulo e encontra essa informação – mas, na dúvida, não faça isso mais de três vezes ao dia para diminuir o potencial de intoxicação.

5. É preciso aplicar repelente no rosto?

Sim. Porém, faça certo: jamais respingue o produto diretamente no rosto, pois isso aumenta o risco de intoxicação. “Borrife primeiro na mão e, então, espalhe, como se fosse um creme”, aconselha a Vanessa Metz.

6. Devo aplicar o repelente antes ou depois do filtro solar?

Aplique primeiro o filtro ou hidratante, espere 15 minutos e, então, borrife o repelente – ele deve sempre ser o último produto a ser usado.

7. É verdade que repelentes são tóxicos?

O medo de contrair algumas dessas doenças fez muita gente perder a mão no uso desse produto – o que aumentou o índice de toxicidade (vale sempre lembrar que trata-se de um pesticida). Para afastar o risco, maneire na dose – siga a recomendação da embalagem. Lembrando que, quando a pessoa sua muito, o prazo de duração na pele é menor, mas isso não é motivo para borrifar mais vezes do que o seguro.

8. Repelentes podem causar reações alérgicas?

Sim, assim como qualquer produto, afinal, também têm em sua fórmula conservantes, como parabenos, e outras que, normalmente, podem causar alergias. “Para prevenir, aposte em produtos sem essas substâncias. A AlergoShop, marca do interior de São Paulo, produz repelentes de icaridina sem qualquer tipo de conservante”, aponta Vanessa Metz.

Elas indicam!

Gestantes e pessoas sem alergias: Exposis.

Portadoras de alergias: AlergoShop hipoalergênico.

Bebês e crianças: JOHNSON'S.

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