Crises de esquecimento podem ser causadas por mente cansada, mas e quando a memória fraca é recorrente? Observe essas três possíveis razões e fique atenta

Texto Vand Vieira | Edição Giuliana Cury | Adaptação Ana Araujo

Conheça possíveis causas da memória fraca
Memória fraca pode ser sinal de cansaço, mas também de depressão e falta de sono
Foto: Caio Mello

Crises de esquecimento podem, sim, ser simplesmente sinal de uma mente cansada, de excesso de informação ou de mera distração. Nesses casos, nada melhor do que um bom final de semana de descanso, um detox mental ou foco no que se está fazendo para sair do estado de esquecidinha máster para ligadona total. O problema é quando esses brancos passam a ser recorrentes e em estado crescente. “A perda sistemática da memória pode ser sintoma de diferentes doenças e disfunções hormonais, que vão além do Mal de Alzheimer”, diz o médico Renato Anghinah, coordenador do Núcleo de Neurologia do Hospital Samaritano de São Paulo. Antes de colocar a memória fraca 100% na conta do cansaço, veja se você se identifica com algum dos sintomas das doenças abaixo. Lembra do ditado “mais vale prevenir do que remediar”?

Falta de dormir

Noites maldormidas impactam profundamente a capacidade de concentração e, consequentemente, atrapalham a memória. Vai dizer que nunca passou o dia avoada após uma noite sem pregar os olhos? Agora, se o motivo de todo esse cansaço não tem nada a ver com baladas ou preocupação com um relatório que pre-ci-sa ser entregue na primeira hora da manhã seguinte, pode ser apneia do sono. “Quem tem esse tipo de interrupção respiratória acorda várias vezes e nem sempre se dá conta, já que é algo tão rápido que a pessoa volta a dormir em seguida. Dor de cabeça, fadiga e distração excessiva, no entanto, não passam despercebidos”, alerta Sônia Brucki, neurologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Em longo prazo, há um risco ainda mais preocupante: o aparecimento de lesões vasculares devido a essas quedas constantes da taxa de oxigênio no cérebro.

Se identificou com o que acabou de ler? Procure já um otorrinolaringologista para uma avaliação clínica detalhada. No mais, vale adotar uma série de hábitos saudáveis como prevenção – sim, alimentação saudável (manter o peso ideal é essencial! O acúmulo de gordura na região do pescoço pressiona a traqueia e dificulta a passagem do ar enquanto estamos deitados) e prática regular de atividades físicas (sua ação broncodilatadora ajuda a deixar o caminho livre para o oxigênio).

Depressão

Engana-se quem pensa que o único dano causado pela depressão é uma tristeza profunda. “A diminuição do valor emocional daquilo que se está observando ou ouvindo é determinante para o esquecimento”, esclarece Sônia Brucki. “A depressão ainda provoca uma interferência direta no hipocampo que, entre outras funções, mantém a estabilidade das conexões entre diferentes zonas cerebrais, sendo fundamental, por exemplo, para gerar as memórias de longo prazo.” Esse estado emocional diminui também a formação de novas sinapses (ligações entre um neurônio e outro), desacelerando o fluxo de informações, assim como a produção de diversos neurotransmissores relacionados ao bem-estar, como a serotonina e a dopamina, e ao estado de alerta, como a noradrenalina. Moral da história: concentrar-se nos problemas 24 horas por dia deixa sua cabeça tão cheia que não sobra espaço para mais nada e, como não poderia ser diferente, o corpo reage a essa situação da pior maneira possível. Então, que tal aderir à filosofia don’t worry, be happy, hein?

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Desequilíbrio dos hormônios da tireoide

Os hormônios tireoidianos não controlam apenas o metabolismo e o equilíbrio entre os sistemas que compõem o corpo (homeostase). Eles também interferem na velocidade em que o cérebro trabalha. “Em casos de hipotireoidismo, quando a produção da tireoide está baixa, é comum ganhar peso, sentir-se sonolenta e desanimada (cansaço crônico), notar unhas mais quebradiças, queda de cabelo e alterações no ciclo menstrual, entre outros sintomas”, declara o endocrinologista Pedro Assed, do Rio de Janeiro. Tudo isso já seria o suficiente para fazer qualquer um andar meio desligado por aí, mas o quadro pode envolver também uma absorção mais lenta dos nutrientes por parte do organismo, dificultando as funções cognitivas. Fique ligada! Procure um médico se perceber algum desses sinais para chegar logo ao diagnóstico.

Revista Corpo a Corpo | Ed. 323

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