Eles têm a função de defender as células dos radicais livres trazendo inúmeros benefícios à pele. Saiba Mais

Texto Carmen Cagnoni

Os benefícios dos antioxidantes

Os benefícios dos antioxidantes

Foto: Fabio Mangabeira

Vamos começar nossa conversa de uma forma diferente: falando sobre química. Mas calma! Não será preciso relembrar as aulas do tempo de colégio. Basta entender que o chamado ativo antioxidante tem a função de estabilizar reações químicas que acontecem no nosso corpo por culpa dos radicais livres. Considerados grandes inimigos da saúde e da juventude, os tais radicais livres são produzidos durante o processo de queima de oxigênio, necessário para transformar os nutrientes dos alimentos que ingerimos em energia. Como uma frente de batalha, nosso organismo possui enzimas protetoras que reparam naturalmente os danos causados por essas moléculas. Mas quando a produção se acentua, não há proteção natural que resolva. Assim, pode haver comprometimento das células, que provocam vários distúrbios. “Nós sabemos que os radicais livres estão intimamente relacionados ao envelhecimento orgânico e, consequentemente, cutâneo. Sabemos também que os antioxidantes são as únicas substâncias capazes de neutralizar esses efeitos maléficos. Portanto, fornecer a quantidade ideal de antioxidantes para a pele e para o corpo é uma medida fundamental não apenas para prevenir rugas, flacidez e manchas, mas também para afastar o risco de doenças degenerativas”, alerta Maurício Pupo (SP), farmacêutico, professor de cosmetologia e diretor de uma conceituada consultoria especializada no desenvolvimento de nutricosméticos para o mercado brasileiro. 

Do passado para o futuro

 Foi na década de 1980 que algumas substâncias antioxidantes começaram a ser empregadas em medicina, para prevenir certas doenças e também para tratar problemas já existentes. No final dos anos 1980 a vitamina E, ao lado da C, foi o primeiro princípio ativo com função antioxidante utilizado em cosméticos. No final da década de 1990 chegaram ao mercado os polifenóis do chá verde e do vinho, retirados de uvas italianas e francesas. “Atualmente, temos opções muito eficientes como a coenzima Q10 e a idebenona, que chegam a ser mais potentes que a própria vitamina C”, afirma Maurício Pupo. Outras substâncias eficazes são betacaroteno, licopeno, chá verde, picnogenol, resveratrol, curcumin e silício, entre outras. “Atualmente, os ativos antioxidantes são incluídos em todas as fórmulas para evitar o envelhecimento precoce, a mudança de coloração do cabelo, a degradação de gorduras naturais que protegem a pele, enfim, uma infinidade de problemas”, relata Sonia Corazza, engenheira química com especialização em cosmetologia (SP).

Tudo começa na infância

O ideal seria incluir elementos antioxidantes na rotina bem cedo. Desde que nascemos nossa alimentação precisa conter substâncias com tal ação, assim, desde cedo, elas começarão a proteger a pele e o DNA das células contra os efeitos cumulativos e danosos dos raios solares, por exemplo. Todavia, é a partir dos 25 anos que os sinais mais marcantes da ação dos radicais livres dão o ar da graça, idade na qual devemos lançar mão dos cremes ricos em idebenona, vitamina C, vinho, chá verde e coenzima Q10, entre outros ingredientes. “Quanto mais ‘idosa’ for nossa pele, mais antioxidantes devemos aplicar (e ingerir também)”, explica Pupo. Sonia Corazza concorda e indica que “desde o uso de fotoprotetores infantis até produtos para a terceira idade, todos devem conter antioxidantes”. Portanto, se você ainda não adotou esse cuidado, comece já! “Nunca é tarde para agir”, avisa Wilmar Accursio (SP), endocrinologista e nutrólogo, diretor da Sociedade Brasileira de Medicina Estética (SBME), que também recomenda o uso por via oral. “Quando utilizamos uma suplementação individualizada, retardamos o processo de envelhecimento como um todo e melhoramos nossas defesas”, pondera.

De dentro para fora

Seria normal nós obtermos da alimentação todos os nutrientes necessários para o nosso bem-estar. “No entanto, atualmente, devido à excessiva industrialização, uso de agrotóxicos e disponibilidade, o que ingerimos, muitas vezes, faz que mais toxinas sejam produzidas do que conseguimos neutralizar. Por isso, se a alimentação for desregrada, é preciso avaliar, sim, a suplementação da dieta com vitaminas e sais minerais”, explica Paula Cabral, nutróloga, dermatologista e especialista em medicina estética e reeducação alimentar, diretora da Clínica Hagla Medicina Estética (SP). Além da alimentação, o meio ambiente é outro fator desencadeante do aumento da produção de radicais livres. Quem vive exposto a um nível alto de poluição, radiação solar, estresse, alimentação inadequada, terá sua defesa antioxidante natural desguarnecida. “Os antioxidantes que ingerimos por meio da alimentação, ou ainda pela suplementação em cápsulas, possuem um efeito muito mais amplo, protegendo todas as células de nosso corpo, resguardando o cérebro de doenças neurodegenerativas e o coração de problemas coronarianos” ensina Maurício Pupo. De acordo com o especialista, dentre todos os antioxidantes que pode¬mos ingerir por via oral, estão os polifenóis da oliva, do chá verde e do cacau. “Mas somente o médico pode prescrever a dose indicada para o consumo de nutrientes via oral”, avisa Sonia Corazza.

Devagar ao pote 

É sempre bom lembrar que a ideia “se bem não faz, mal também não” é errada. “Temos de pensar no sistema antioxidante como um todo, pois nosso corpo não responde isoladamente. Por exemplo, dar vitamina C para pessoas com excesso de ferro no sangue potencializa uma reação química que produz o pior radical livre, a hidroxila. Por isso, claro, é importantíssimo o aval de um especialista”, avisa Wilmar Accursio. No que se refere ao uso dos cosméticos, não há restrições. “Em geral, sempre que um cosmético é devidamente registrado na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), ele está pronto para ser utilizado. Basta o consumidor seguir as orientações do rótulo. Os antioxidantes são substâncias bastante seguras e que, desde que usados nas doses permitidas pela Anvisa, não necessitam de cuidados especiais”, afirma Maurício Pupo.